sábado, 14 de Novembro de 2009

Bettencourt destaca falta de acordo na contratação

"Não houve fracasso nas negociações. Eram necessárias muitas coisas e houve muita especulação e não existiu nenhum comentário por parte dos dirigentes do Sporting", começou por dizer Bettencourt, à entrada para o jantar da celebração do 15º aniversário do núcleo do Sporting de Valpaços.
"Eram necessárias três partes para essa possibilidade, mas não foi possível", acrescentou o presidente do Sporting, que explicou que a "actual equipa técnica vai manter-se em funções até ordem em contrário".
"Foi a comunicação social que deu como certa uma coisa que nunca ninguém deu como certa", frisou José Eduardo Bettencourt.
"Villas Boas foi um treinador com quem eu nunca estive e para se sondar se haverá ou não a possibilidade de candidatura a treinador do Sporting é necessário haver um acordo com várias partes", rematou.

Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Bettencourt-destaca-falta-de-acordo-na-contratacao.rtp&article=295020&visual=16&layout=55&tm=27


"Pare, Escute, Olhe" vai ser exibido em Mirandela, no sábado - Cartaz - DN

O documentário "Pare, Escute, Olhe" (2009), do realizador Jorge Pelicano, premiado nos festivais DocLisboa e Cien Eco, vai ser exibido sábado, em Mirandela, numa sessão para os protagonistas, que o verão pela primeira vez.
Estreado em Outubro no Festival DocLisboa 2009, onde conquistou os prémios de Melhor Documentário Português, Melhor Montagem, e também no Festival Cine Eco 2009, em Seia, com o Grande Prémio do Ambiente, Grande Prémio da Lusofonia, e Prémio Especial da Juventude, o documentário é um retrato do isolamento das populações em Trás-os-Montes.
No sábado, as sessões especiais para os protagonistas do filme estão marcadas para as 17:00 e 21:30 no Centro Cultural de Mirandela, onde também estará Jorge Pelicano para promover um debate.
No documentário, o realizador mostra aspectos da vida de algumas pessoas ligadas ao Tua, como Fernanda, que vive numa estação abandonada, Berta, utilizadora frequente do comboio para ir ao médico ou comprar comida, ou Abílio Ovilheiro, ex-ferroviário, que vive numa estação activa.
Também surgem no filme Pedro Couteiro, activista e um acérrimo defensor dos rios e o escritor transmontano Jorge Laiginhas.
Quando estreou no festival DocLisboa, Jorge Pelicano disse à Agência Lusa que o filme "é uma reflexão sobre o despovoamento e desertificação" provocados pelo encerramento progressivo da linha ferroviária do Tua, nos distrito de Bragança.
Concluído este ano, o filme - criado pelo mesmo realizador do também premiado documentário "Ainda há Pastores?" (2005) - tem como objectivo "pôr o tema do Tua na ordem do dia" porque "o documentário pode ser uma arma que mostra as situações que não estão na ordem do dia, para que as pessoas reflictam sobre elas".
O rio Tua nasce a cerca de dois quilómetros acima da cidade de Mirandela, na junção dos rios Rabaçal e Tuela, e a linha ferroviária do Tua ligava inicialmente a foz à cidade de Bragança.
A ligação entre Bragança e Mirandela foi desactivada em Dezembro de 1991, e o realizador quis mostrar como "essa sentença acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal".
O documentário mostra as sucessivas promessas políticas para o apoio ao desenvolvimento da região, o mau estado da linha ferroviária, os acidentes, e a vida das populações locais servidas pelo centenário caminho-de-ferro.
Para Jorge Pelicano, este filme é "uma metáfora" para o despovoamento e a desertificação do interior do país: "As linhas são encerradas porque as pessoas se vão embora".
"Eu também queria mostrar a incúria de que foi alvo a linha do Tua ao longo dos últimos 20, 30 anos por parte dos responsáveis políticos e os responsáveis pelas empresas que a gerem. Encontrámos a linha em muito mau estado, e daí os quatro acidentes nos últimos dois anos, que provocaram mortos".
O filme está dividido em duas partes: a primeira sobre a situação da parte desactivada da linha, entre Bragança e Mirandela, com a visível degradação do troço, o abandono, a pobreza dos poucos habitantes que vão ficando.
A segunda revela o quotidiano do troço ainda activo, entre Carvalhais, Mirandela e Cachão, cujas populações usam o transporte ferroviário para ir trabalhar, fazer compras, ir ao médico, manifestando-se no filme contra o seu encerramento.

Dor e emoção na despedida às vítimas

Um misto de dor e de incompreensão imperou ontem no momento em que os corpos de quatro das cinco vítimas da derrocada de um viaduto em Andorra foram a enterrar.

Eram cerca das 10h30 quando na freguesia de Sá, em Valpaços, perante centenas de pessoas, o corpo de Olímpio Santos saiu da casa onde nasceu em direcção à igreja. Num choro convulsivo e abraçada às irmãs, Maria, mulher da vítima, seguia atrás do caixão, e não conseguiu conter os gritos no momento em que se despediu do marido. “Não sei como vou aguentar viver sem te ter ao meu lado, Olímpio, eras tudo para mim”, dizia a mulher, entre lágrimas.
Meia hora depois, em Baião, era a vez de dizer o último adeus a Carlos Marques. Completamente abalada, a família do trabalhador que estava em Andorra há apenas uma semana ainda não conseguia acreditar que o jovem de apenas 24 anos tinha morrido num acidente.
Durante a tarde realizou-se ainda, em Rio Caldo, o funeral de António Gonçalves. Sempre acompanhada das filhas, Clara, a mulher, seguiu todo o cortejo fúnebre e não escondeu a dor quando o corpo do marido foi colocado debaixo de terra. Às 17h00, foi a vez de a última vítima, Carlos Alves, ser enterrada. Inconsolável, a mãe do emigrante só repetia que o filho estava com Deus. “Ai meus Deus. Ai meus Deus. Agora estás com Deus meu filho”, repetia. A família de Olímpio, que residia em Andorra, regressa ao país ainda hoje. Domingo é a vez de a mulher de António Gonçalves voltar ao local onde o trabalhador morreu.

PORMENORES

VINDOS DE ANDORRA

Para além das centenas de amigos e familiares, alguns colegas de trabalho das vítimas vieram propositadamente de Andorra para assistir às cerimónias fúnebres.

LUTO NACIONAL

O governo de Andorra decretouo dia de ontem como sendo de luto nacional. Ontem, em Andorra, vários portugueses e trabalhadores estrangeiros fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas.

EVOLUÇÃO FAVORÁVEL

Os cinco feridos do acidente que continuam internadosestão a evoluir favoravelmente e muito em breve terão alta.

OBRAS AINDA ESTÃO PARADAS

A construção do viaduto quedeveria ligar La Massana a Encamp continua suspensa por tempo incerto. A obra só deverá recomeçar quando a empresa apresentar um relatório que garanta que todas as condições de segurança estão asseguradas. Tal como o Correio da Manhã já tinha avançado, ontem o governo de Andorra informou que na causa do trágico acidente terá estado um mau cálculo na construçãoda obra.

MÃE LEVA IMAGEM DO FILHO AO PEITO

A mãe de Carlos Alves estava ontem inconsolável. Durante toda a cerimónia a mulher nunca largou a fotografia do filho, que morreu nas terras frias de Andorra, bem longe do local de onde era natural.
Num silêncio gritante de dor e de emoção, uma multidão assistiu ao funeral do trabalhador de 36 anos que deixa viúva e dois filhos ainda menores de idade.
Para além da família, também alguns colegas da Ambicepol marcaram presença nas cerimónias fúnebres de Carlos, que acabava de comprar casa nova. "Ele vivia para os filhos, agora vai ser muito difícil para eles", disse um familiar.

Alexandre Panda/Ana Isabel Fonseca/Secundino Cunha
In http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=4A8C93DA-3B3F-4B4B-B251-ED3194DD7EE6&channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Valpaços - Município comemorou 173 anos

O dia 6 de Novembro é assinalado na cidade valpacense com o Feriado Municipal. Este ano, as comemorações abrangeram a noite de 5 de Novembro, quando actuou a Orquestra do Norte, no Centro Cultural Luís Teixeira, em Valpaços.
Depois de uma noite preenchida pela música, o Dia do Município, à semelhança de anos anteriores, ficou marcada, cerca das 9:30 horas, com o hastear das bandeiras nos Paços do Concelho, ao som da Banda Municipal de Valpaços. Posteriormente, seguiu-se, no salão nobre da autarquia, a entrega dos Prémios do Município de Valpaços aos melhores alunos do concelho.
Vereadores, responsáveis educativos e autarca entregaram os prémios aos melhores alunos do 9º e 12º ano, terminados no transacto ano lectivo. No que toca ao terceiro ciclo, a André Ferreira foi entregue o prémio de melhor aluno da Escola EB 2/3 Júlio do Carvalhal. Já na Escola Secundária de Valpaços, o prémio foi dividido entre Daniela Adelino, Diana Cardoso e Francisco Medeiros. Ainda no 9º ano, Ana Nunes recebeu o prémio por ser a melhor aluna da Escola EB 2/3 José dos Anjos, em Carrazedo de Montenegro.
No 12º ano, Patrícia Santos, que já ingressou no ensino superior, nomeadamente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, foi a melhor aluna da Escola Secundária de Valpaços. Na ocasião, Francisco Tavares, autarca valpacense, na presença de pais e alunos, responsáveis do executivo camarário, presidentes de junta e entidades públicas, sublinhou a importância de reconhecer os melhores alunos, que vê como um incentivo ao estudo e uma aposta na formação dos jovens do concelho.

Os primeiros documentos escritos que citam Valpaços datam do século XII. A freguesia terá começado por ser um pequeno reduto habitado por nobres e famílias senhoriais, atraídas por um conjunto de privilégios tendentes a povoar aquela região tão próxima de Espanha.
Valpaços foi elevada a vila em 1861, através de decreto real de 27 de Março, assinado por D. Pedro V. Em 1936, chegava finalmente a sua representação heráldica, agora revista para uma coroa de cinco castelos, dado que passou a cidade no ano de 1999.

Fonte: http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=6694

SCP - Núcleos em festa

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

15.º Aniversário do Núcleo Sportinguista de Valpaços

O Núcleo Sportinguista de Valpaços festeja na próxima sexta-feira, dia 13 de Novembro de 2009, o seu 15.º aniversário com um jantar comemorativo, pelas 20 horas, na Quinta Adelaide Simões.
Representando o Sporting estarão José Eduardo Bettencourt, presidente do Conselho Directivo, e Rogério de Brito, vice-presidente do Conselho Directivo.

Programa Completo

17H45M Inauguração da sala verde do Núcleo
18H00M Recepção na CM de Valpaços
18H30M Recepção na Junta de freguesia de Valpaços
19H00M Visita a Cooperativa de olivicultura de Valpaços
19H30M Visita a Adega Cooperativa de Valpaços
20H00M Jantar na Quinta Adelaide Simões

Fonte: http://www.sporting.pt/Info/Noticias/noticiasgerais_bettencourtnucleos_121109_55865.asp

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Entrevista: O melhor álbum de Roberto Leal

Em entrevista, Roberto Leal, de volta às raízes trasmontanas, falou sobre o prêmio que a “RTP demorou 30 anos” para lhe distinguir. E ainda, desmente rumores sobre mudança de seu nome artístico.
A Casa de Portugal de São Paulo recebeu caravanas de alguns estados brasileiros para as duas apresentações de Roberto Leal, promovido pelo Buffet O Marques em parceria com a casa.
Em entrevista ao Mundo Lusíada antes de iniciar o seu show, o cantor português que cresceu no Brasil mostrou-se satisfeito com o resultado do trabalho desenvolvido em relação aos seus últimos álbuns, que o destacou em diferentes cantos do mundo.
Canto da Terra (2007) e Raiç/Raiz (2009) foram os últimos dois CDs que contam com uma roupagem nova, diferente, e que lhe rendeu as melhores críticas por parte da comunicação social. O Canto da Terra traz algumas músicas em mirandês, para divulgar a segunda língua de Portugal.
Já o último trabalho, foi eleito pela RTP (Rádio e Televisão de Portugal) como o melhor álbum do ano de Música Tradicional Portuguesa. A distinção vai render ainda ao cantor uma divulgação institucional do seu álbum nos canais da RTP Internacional. “Eu acho que, depois de muitos anos, se haviam dúvidas, as dúvidas vão se decepando. A vida é bonita por isso, há sempre que confrontar as suas vontades, os seus desejos, os seus sonhos em realidade”, afirma o cantor.
É a primeira vez que Roberto Leal recebe esta distinção da RTP. Na entrevista ao Mundo Lusíada, ele atribuiu este prêmio unicamente a qualidade do álbum. Neste novo trabalho, Roberto Leal volta a cantar em língua mirandesa, em modas como “Cirigoça” e “La Lhoba Parda”.
“Eu levava comigo a música brasileira, como samba e frevo, e de repente percebi que tinha que me aproximar mais da música de Portugal, já que eu represento a música e cultura portuguesa”, diz ele, que costumava gravar músicas com mistura de ritmos lusos e brasileiros. O cantor também queria mudar o fato de que seus CDs não saiam das prateleiras de música internacional em Portugal.
Assim, Roberto Leal foi atrás de um som mais característico da sua terra-natal, realizou uma intensiva busca na escolha de repertório e foi buscar nas raízes portuguesas a inspiração para o seu novo trabalho. “A RTP demorou 30 anos para que isso acontecesse. Estou feliz por ter feito um trabalho como o Raiz, eu fui buscar este som nas raízes portuguesas”.
Nascido em Vale da Porca, Trás-os-Montes, Roberto Leal chegou ao Brasil com onze anos de idade, juntamente com seus pais e dez irmãos, em 1962. Depois que ingressou na música, fez muito sucesso com sua aparição no programa do Chacrinha. E hoje, é citado pela imprensa como o mais conhecido português no Brasil, passando nomes como José Saramago, Fernando Pessoa e Mário Soares.

Mudança de nome

Foi neste intermédio de mudança de som que surgiu boatos de que Roberto Leal também mudaria de nome. O assunto tomou tanta proporção que canais de comunicação em Portugal chegaram a entrevistar artistas lusos questionando se o cantor deveria ou não mudar o nome, e até foi publicada uma enquete em Portugal para que os internautas votassem pelo sim ou pelo não (www.robertolealmudade nome.com). Mas tudo não passou de uma tremenda confusão.
“A única coisa que eu não posso mudar é o nome, posso mudar tudo menos o nome”, disse Roberto Leal, explicando que a sua gravadora contratou uma agencia e eles “detonaram” essa notícia para a imprensa. O publicitário João Goulão (Agencia Cupido) chegou a dar entrevista sobre o assunto dizendo que a idéia era “deixar para trás o artista de festas de aldeias e fazer dele um nome a figurar num cartaz do CCB”.
Entre as opções para mudança de nome, estava seu nome de batismo, Antonio Joaquim Fernandes, ou ainda Antonio Leal, Lealdade Lusa e Leal Tradição. De acordo com Roberto, assim que chegasse a Portugal, no dia 16, a sua intenção era reunir a imprensa portuguesa para esclarecimentos. “O nome não se muda. Roberto Leal não vai mudar de nome nunca”, reafirma o cantor luso-brasileiro.
Após suas duas apresentações em São Paulo, o cantor seguiu com sua agenda de shows em Caracas na Venezuela, depois no Brasil em Pelotas, Maringá, Rio de Janeiro, e na sequência em Portugal.
De acordo com ele, estar em São Paulo novamente é gratificante. “Muitas pessoas que estão aqui hoje são pessoas que me acompanhavam quando eram crianças, e hoje são jovens senhoras. É um público amigo. Eu tenho todo o motivo do mundo para sorrir, isso é maravilhoso”.

Bom público na Casa de Portugal SP


O espetáculo “Uma Noite em Portugal III” foi apresentado no sábado, 17 de outubro, durante um jantar no salão nobre da Casa de Portugal, e num almoço no domingo, dia 18.
A abertura do evento contou com o folclore da casa. Em uma apresentação mais curta, o Grupo Folclórico mostrou a sua dança de norte a sul de Portugal. Na sequência entrou no palco a dupla sertaneja Leo & Alexandre. Eles, que são descendentes de portugueses, trouxeram canções inéditas e sucessos sertanejos atuais no Brasil.
Mas o grande show da noite foi de Roberto Leal, que animou as caravanas que estiveram presentes no evento, não apenas de São Paulo, como de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e Maranhão. Na platéia, muitos representantes da comunidade portuguesa, público em geral, além da presença da cantora Ângela Maria.
A grande atração da noite estava feliz por estar mais uma vez de volta a São Paulo e recebendo o caloroso acolhimento de sempre. “A palavra mais simples e objetiva é felicidade”, afirmou Roberto Leal.

Por Vanessa Sene
Mundo Lusíada
In http://www.mundolusiada.com.br/ACONTECE/acon632_nov09.htm

Vítimas regressam a Portugal

Os corpos de quatro dos cinco portugueses vítimas da queda de um viaduto em Andorra chegaram ontem a Portugal, no dia em que Toni Ribeiro – que morreu no hospital após ter sido resgatado com vida dos escombros, onde esteve mais de dez horas – foi a enterrar no cemitério de Lordelo.
Ao contrário do que inicialmente estava previsto, as autópsias ficaram concluídas de manhã. Os corpos de Carlos Alves e Carlos Marques partiram do Hospital de Meritxell antes das 10h00. Mais de duas horas depois, era a vez de os caixões de António Gonçalves e Olímpio Santos seguirem viagem rumo à terra onde nasceram.
As famílias das vítimas regressaram mais cedo a Portugal, a conselho dos psicólogos. 'Fomos aconselhados a regressar antes, ia ser muito doloroso seguir toda a viagem atrás do caixão. Já sofremos bastante nos últimos dias', explicou ao CM Armandina Escoeiro, cunhada de Olímpio.
António Gonçalves e Olímpio tinham residência fixa em Andorra há quase 30 anos. Contudo, na hora de decidir onde seriam enterrados, não houve dúvidas para as famílias. O desejo dos trabalhadores era serem enterrados na terra natal.
Vamos enterrá-lo na terra onde ele nasceu e cresceu. Onde sempre disse que queria morrer. Era esse o desejo dele e nós vamos cumpri-lo', explicou Armandina, cunhada de Olímpio, que esta manhã vai a enterrar em Sá, Valpaços.
Também para Clara, mulher de António Gonçalves, não houve dúvidas. 'Ele há muito que pensava voltar para Portugal, infelizmente não o conseguiu fazer com vida', lamentou.
Quatro dias depois do acidente, Andorra ainda não recuperou da tragédia. Depois de toda a neve que cobria a plataforma ter ontem derretido, a imagem chocante de uma montanha de ferro e betão ficou a descoberto. Hoje, no dia escolhido pelo Governo de Andorra para assinalar o luto às vítimas, outros cinco portugueses que ficaram feridos no acidente continuam internados: três no hospital de Meritxell e outros dois em Barcelona. Um outro teve alta.

ESTIMADAS 12 MORTES ATÉ FINAL DA OBRA

Desde que a construção do viaduto se iniciou em La Massana, já morreram naquele local sete portugueses, um em 2007 e seis este ano. Contudo, ao que o CM apurou, no inicio do projecto foi feita uma avaliação e, até 2011, ano em que a obra estaria finalmente concluída, era admitida a morte de 12 trabalhadores. 'As empresas fazem sempre um estudo prévio e, face às condições de trabalho e ao perigo que aquela construção representa, havia uma estimativa de pelo menos 12 trabalhadores morrerem. Numa obra desta magnitude é muito raro não haver mortes', explicou ao CM um responsável. No entanto, a forma trágica como ocorreu este acidente chocou toda a comunidade. Alguns consideram mesmo regressar a Portugal e não continuar o trabalho.

PORMENORES

Ferido teve alta

Fernando Pereira, 40 anos, ferido que sofreu um traumatismo craniano, foi operado de urgência no hospital em Barcelona. Ontem foi transferido para uma unidade em Portugal.

Causas por apurar

Ainda não há conclusões sobre o que levou à queda do viaduto em construção, mas tudo indica que a má distribuição de betão na plataforma terá desequilibrado a estrutura, arrastando-a para o precipício.

Obra parada

Os trabalhos no túnel dos Vallires estão suspensos por tempo indeterminado. Muitos portugueses que trabalhavam na obra estão em Portugal para assistir às cerimónias fúnebres e ponderam não voltar a trabalhar naquela construção

Em estado grave

Dois dos seis trabalhadores portugueses feridos no acidente estão internados em estado grave na unidade de queimados do Hospital de Barcelona. Três outros continuam na unidade hospitalar de Meritxell, em Andorra.

Funerais hoje

Vão hoje a enterrar os quatro trabalhadores que perderam a vida na construção do viaduto em Andorra. Os funerais realizam-se de manhã em Valpaços, e Baião. À tarde em Terras de Bouro e Paços de Ferreira.

UMA 'DOR IMENSA' NO ÚLTIMO ADEUS

'Vão lá para fora ganhar a vida e encontram a morte. É muito triste...' A frase ficou incompleta porque a emoção embargou a voz de Isabel Sousa, uma das quase mil pessoas que não quiseram, ontem, faltar ao funeral de Toni Cristiano, um dos cinco emigrantes em Andorra que no sábado morreram na queda de um viaduto.
António Soares, de 72 anos, disse ao CM nunca ter visto em Lordelo, Guimarães, um funeral que juntasse tanta gente. 'Era um rapaz na flor da idade e muito considerado aqui na terra', acrescentou.
O texto da Ressurreição de Lázaro, lido no Evangelho, serviu de mote à curta homilia do padre José Manuel Pinto. 'Tal como Lázaro, também este nosso irmão ressuscitará junto de Cristo', disse o sacerdote, perante uma assistência mergulhada numa 'dor imensa'.
No cemitério, a urna foi aberta para um último olhar dos familiares mais próximos. Um momento intenso, banhado em lágrimas e em gritos de profunda revolta.
Depois de aspergir a purificadora água benta, o padre José Pinto, que conhecia o Toni desde o baptismo, também não escondeu a dor, mas sem palavras.

NOTAS

GOVERNO: ANÁLISE DA OBRA

O chefe do Governo de Andorra anunciou ontem que o Conselho de Ministros já começou a analisar a documentação relativa à situação laboral e de segurança da obra no túnel Dos Valires

PARLAMENTO: VOTO DE PESAR

O Parlamento português cumpriu ontem um minuto de silêncio pelo acidente. O voto de pesar foi aprovado por unanimidade pelos seis partidos, em homenagem aos operários da obra

MISSA: EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS

O bispo de Andorra, Joan Enric Vives, vai celebrar, na próxima quarta-feira, uma missa em memória das cinco vítimas do acidente, a ter lugar na Igreja de Sant Esteve de Andorra la Vella

Ana Isabel Fonseca/S.C.
In http://www.correiomanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009&contentid=C2731B81-7016-4A5A-9663-FF6D8DC306D5